Cultura da Pitangueira

A pitangueira (Eugenia uniflora) é uma árvore de fruto nativa da mata Atlântica  do Brasil, que pertence à família Myrtaceae, a mesma do araçá, goiaba, escova de garrafa e do eucalipto, entre outras. Apesar de ser tipicamente brasileira, ela pode ser encontrada em outras partes do globo, como: vários países da América do Sul, América Central e América do Norte, em Africa e Portugal (Madeira).

As folhas são persistentes, opostas, pequenas, coriáceas, ovais acuminadas. São avermelhadas quando jovens e vão gradativamente ficando verdes à medida que crescem. Quando pressionadas exalem um aroma característico. Na tradição popular o chá de folhas de pitangueira é usado pelas suas qualidades terapêuticas.São principalmente utilizadas para combater a febre, gripes, diarreia, gota e reumatismo.
 Apresentam propriedades anti inflamatórias, antifúngicas, digestivas, hipotensoras, antitumorais, analgésicas, entre outras.

Flor de pitangaAs flores da pitangueira são brancas, portam muitos estames e atraem os insetos polinizadores, podem surgir uma ou mais vezes ao ano, dependendo maioritariamente do clima e da região. Do inicio da floração até à maturação do fruto decorrem cerca de 30 dias.

As pitangas, também chamadas de cereja brasileira, são pequenas e doces, apresentam uma drupa carnosa, a casca geralmente vermelha, mas existem variedades roxas e negras. São ricas em vitamina A e C, complexo B e cálcio, ferro e fósforo. São consumidas em fresco, na preparação de doces e geleias, licores e sumos.

Condições favoráveis ao cultivo da Pitangueira


Condições ambientais: A pitangueira aprecia ambientes climas quentes, contudo tolera o frio até 0º, com -1ºC sofre paragem de crescimento. As temperaturas ótimas situam-se entre os 23 e os 27ºC.
Requer sol pleno e um ambiente com humidade média a alta, entre os 70 e os 80%. Necessita
Não suporta vento forte, ele potência a queda das flores em detrimento da frutificação.

Aprecia solos leves, profundos, férteis, enriquecidos com matéria orgânica e húmidos mas com uma boa capacidade de drenagem. Não gosta de solo alcalinos, o ideal é o pH entre os 6 e os 6,5. Não tolera a salinidade ou a estiagem prolongada.

Como cuidar a pitangueira


Como plantar a pintangueira: A melhor altura de plantação é no Outono e no Inverno. Abra uma cova com o dobro do tamanho do torrão da planta. No fundo da cavidade é colocado estrume bem curtido, que deve ser coberto com uma camada de terra antes de colocar o torrão. Depois de colocar o torrão, aconchegue com o resto da terra e forme uma caldeira à volta da planta. Regue generosamente de modo a acomodar a raiz da pitangueira.

Adubação da pitangueira: A adubação é realizada anualmente com o acréscimo de estrumes bem curtidos, composto, adubo verde ou farinha de ossos, sob a copa duas vezes ao ano. Exigências nutritivas: 1:1:1 (N:P:K). Mantenha a base da pitangueira livre de ervas daninhas, de modo a estas não competirem com os nutrientes.

Propagação da pitangueira: O método de multiplicação mais usual é por via da sementeira. As sementes têm um bom poder germinativo, mas levam aproximadamente 2 meses a germinar. Todavia a enxertia é o melhor meio de obtenção da nova planta, ela garante a variedade e a qualidade da muda.

Poda da pitangueira: A planta é capaz de resistir a podas intensas e frequentes, contudo quando exagerada ela compromete a frutificação seguinte. Corte os ramos indesejáveis, fracos ou secos. Realize a poda da planta de modo a permitir uma boa entrada de luz. A melhor altura é o inicio da Primavera.

Rega: Nas épocas quentes regue com frequência e com generosidade, principalmente na altura da plantação, da floração e frutificação. A pitangueira aprecia uma boa humidade do solo, mas sem encharcamento.

Pragas e doenças: Uma das principais pragas da pitangueira é a mosca da fruta. A fêmea deposita os ovos no fruto, após alguns dias nasce uma larva que se alimenta da polpa e torna o fruto improprio ao consumo.
Outras das pragas recorrentes são a broca e a cochonilha, devem ser vigiadas e controlada logo no inicio do aparecimento.
Também são testemunhadas a presença de formigas, porém quando existem geralmente elas são indicativas da presença de outras pragas. Veja aqui alguns métodos de controle: Como acabar com as formigas
Quanto às doenças, a ferrugem é uma das mais comuns, apesar de pouco incidente.

Pitangueira em vaso: O diâmetro do vaso é que vai determinar o tamanho da pitangueira, quanto maior o tamanho mais a planta cresce, contudo é recomendado um vaso com pelos menos 50 litros de capacidade. É imperativo colocar o vaso num local ensolarado. A terra deve ser enriquecida com composto orgânico, devendo este material ser reposto todos os anos. A rega deve mais vigiadas, o solo deve ser mantido húmido mas sem encharcar.

Curiosidades da pitangueira


Quanto tempo demora a pitangueira a dar fruto? O inicio da frutificação depende de vários factores, porém a normalidade circunda os 3 anos após o plantio.

É possível plantar Pitanga em Portugal? A pitangueira é muito cultivada na Madeira, em Portugal, como árvore de frutos e como planta ornamental. Mas é uma especie ainda pouco divulgada no Continente e ao contrário de outras árvores de fruto exóticas ela não têm tido muita oferta nos viveiros. Contudo já há relatos positivos de árvores que frutificam com sucesso.

Madeira da pitangueira: A madeira desta  árvore de fruto é usada na fabricação e como complemento de ferramentas e instrumentos agrícolas.

Nomes populares: Pitanga, pitangueira, cereja do Brasil, cereja brasileira, pitanga do mato, cereja de Suriname.

Fotos pixabay 

Cultivo do medronheiro

Cultivo do medronheiro o arbusto do medronho
O medronheiro (Arbutus unedo) conhecido também por ervedeiro é um arbusto frutífero ou ornamental, que pertence à família Ericaceae, a mesma dos mirtilos e das azáleas, entre outros. É nativo da região mediterrânica, Europa Ocidental e algumas zonas do Sul da Irlanda. Em Portugal encontra-se em todo o continente, porém é no Algarve que se encontra a maior concentração, principalmente nas serras do Caldeirão e Monchique.

Apresenta um porte arbustivo ou arbóreo, com copa arredondada e irregular. As folhas são persistentes, verdes, simples, alternas, de 6 a 10 cm, coriáceas lanceoladas ou oblongas, com borda serrada e com um brilho ceroso na página superior.

O medronheiro têm um ciclo fora do habitual, a floração ocorre ao mesmo tempo que a frutificação, sendo os dois coincidentes com o Outono/Inverno. O fruto leva entre 10 e 11 meses a amadurecer.

As flores são muito decorativas, estão dispostas em panículas, com pequenos cálices, corola branca levemente rosada com 5 lóbulos, são hermafroditas, são maioritariamente polinizadas por abelhas. O fruto (medronho) é redondo com superfície granulosa, com aproximadamente 2 cm de diâmetro, inicialmente é verde, posteriormente passa a amarelo e quando atinge a maturação adquire tonalidade vermelha. A colheita do medronho começa em Outubro e estende-se ao inicio do Inverno. 

Condições favoráveis ao cultivo do medronheiro


Têm uma grande capacidade de resistência e particularmente promissora no impacto ambiental, resiste à secura do solo e do ar, assim como às temperaturas elevadas do Verão. Têm igualmente uma forte capacidade de regeneração, é uma das primeiras plantas a brotar após um incêndio, consegue rebentar a partir das raízes e volta a ficar apto à produção após 2 a 3 anos.

O medronheiro é um arbusto rustico que cresce bem na maioria das terras, até mesmo solos pobres  deteriorados ou com salinidade. Porém aprecia solos ricos em matéria orgânica com pH ácido.

Requer muita luz natural e obtêm melhores resultados quando cultivado em pleno sol durante todo o ano. Subsiste bem às oscilações climáticas, resiste à geada e temperaturas altas, contudo prefere climas suaves. Suporta a poluição atmosférica, a exposição marítima e o sombreamento.

Manutenção do medronheiro


Forneça matéria orgânica à planta: O medronheiro não é uma árvore muito produtiva, porém o acréscimo de matéria orgânica permite proporcionar produções mais regulares. Faça uma cobertura em torno da árvore com matéria vegetal, evitando encostá-la ao tronco.

Rega do medronheiro: Necessita de poucos recursos hídricos, mas beneficia com uma rega regular. Na fase inicial de crescimento, necessita de ser regado com mais frequência e de forma mais abundante. À medida que se vai desenvolvendo, vai necessitando de menos água. O medronheiro é uma planta resistente que consegue sobreviver aos períodos de seca.

Poda do medronheiro: A planta têm tendência em se ramificar desde baixo mas é possível podar os ramos baixos e deste modo consegue-se a formação de um tronco limpo. É recomendado desbastar copas demasiadamente densas em que a entrada de luz é dificultada, devem ser retirados os ramos doentes e fracos ou que apresentem flores secas. Deve ser efetuada em medronheiros que já tiverem alguns anos e se apresentem muito altos e desprovidos de folhas na sua base. A poda deve ser realizada após a época das geadas.

Propagação do Medronheiro: A multiplicação do medronheiro é geralmente feita por via da semente, estaquia ou mergulhia. Apesar do método da sementeira ser o método preferidona  propagação do medronheiro, é de salientar que as sementes apresentam uma taxa de germinação baixa, cerca de 20%. A semente  precisa de várias semanas de frio para germinar. Uma das possibilidades é colocá-la no frigorifico entre os 3 e os 5ªC por 2 ou 3 meses antes de a semear.

Colheita do medronho: O medronheiro leva aproximadamente 5 a 6 anos a frutificar, contudo existem algumas práticas que podem acelerar este tempo. Uma árvore produz em média 10 a 20 Kg por ano. A melhor maneira de consumir o medronho é ao natural, diretamente da árvore.

Curiosidades do Medronheiro


Existe a crença de que os medronhos embebedam, mas não passa de um mito. Segundo um artigo publicado pela Universidade de Coimbra, esta afirmação é falsa. Esta resposta é sustentada em base num estudo realizado pelo investigador Jorge Canhoto. Leia o artigo aqui: Comer medronhos não embebeda, beber aguardente sim

O medronheiro é cultivado principalmente pelo seu fruto, para a a produção de aguardente de alambique, mas presta-se igualmente à elaboração de licores, vinagres e compotas. Também têm grande interesse para o consumo em fresco, devido às suas qualidades medicinais, que permitem combater os radicais livres, responsáveis por várias doenças degenerativas, além disso melhora a saúde dos ossos e controla os níveis de colesterol.

A planta medronheiro utiliza-se igualmente para a produção de mel, sendo que o néctar das suas flores dá um sabor característico ao mel.

As folhas e as cascas do medronheiro possuem taninos que são utilizados na curtição das peles. A madeira também é manuseada e torneada, além de ser um excelente combustível.

O medronheiro é uma espécie tolerante ao sal, sendo uma boa opção na criação de barreiras nas zonas costeiras. Além disso as suas grandes raízes ajudam a estabilizar a terra.

Nomes populares: medronho, medronheiro, ervedeiro, ervodo, ervedo, arvore do morango, strawberry tree (inglês), madronho (espanhol).