Cultivo da Anoneira (Fruta do conde)

Cultivo da Anoneira (Fruta do conde)

A anoneira (Annona cherimola, Mill) pertence à família das anoneaceas, e pensa-se que seja nativa do norte do Peru. O seu fruto a anona também conhecido por fruta do conde, é muito apreciado na América do Sul, porém é ainda pouco consumido em Portugal. É reconhecido pelo sua polpa branca cremosa, moderadamente sumarenta e pelas suas inúmeras vantagens para saúde, há quem acredite que ajuda no tratamento de doenças oncológicas: (Benefícios da anona). Além de todas as vantagens do fruto, também são atribuídos poderes medicinais às folhas da anoneira, que são utilizadas sob a forma de infusão, às sementes e à casca da árvore..

A anoneira é uma árvore de pequenas dimensões, um atributo que lhe permite ser cultivada num canto do jardim. Apresenta um tronco cilindrítico com casca grossa e lisa, ramos densos e folhas ovais lanceoladas de um verde escuro. O seu sistema radicular é superficial e ramificado. No conjunto todas estas características resultam numa árvore frondosa com um porte globoso. É considerada um a árvore semi caduca, porque na maioria das vezes as folhas mais velhas mantém-se até ao aparecimento dos novos rebentos.

Flor da Anoneira (Fruta do conde) O inicio da floração combina com o período de rebentação da folha. As flores da anoneira são emafroditas, não exibem um aspeto muito chamativo, mas são muito aromáticas. Apresentam-se solitárias ou em grupos de 2 ou 3. A parte masculina da flor é constituída de estames que se encontram sobre um receptáculo, formando uma massa branca e densa, comprimida pelas pétalas. A parte feminina apresenta um elevado numero de carpelos, cada um com apenas um óvulo, quando é fecundada os óvulos unem-se e formam um fruto composto. A maturação dos órgão femininos e masculinos da flor da anoneira dão-se em momentos distintos, a morfologia da flor apresenta pétalas longas e uma base muito estreita, estas características associadas à baixa frequência de insetos polinizadores, reduzem as hipóteses de uma boa polinização, em detrimento de uma baixa percentagem e qualidade dos frutos. O tempo médio que a árvore da anona leva a produzir é de aproximadamente 4 a 5 anos.

Cultivo e manutenção da anoneira


Sendo uma planta sub tropical, a anoneira prefere invernos suaves. Prefere locais com uma boa exposição solar, a temperatura ótima para o seu correto desenvolvimento encontra-se entre os 18 e os 20º. Aprecia uma humidade relativa de 60 a 80%.
A anoneira aprecia solos ricos em matéria orgânica, com boa drenagem, de textura franca (argilo, arenosos), com o pH situado entre os 5,5 e os 6,5.

O método de propagação mais usual é a sementeira, dada a grande facilidade com que a anoneira se propaga por semente, embora esta prática possa resultar em plantas com genótipos diferentes. A prática é simples, basta retirar as sementes do fruto e semeá-las depois de secas. Atualmente o método mais viável é a enxertia, que garante as características da planta mãe, contudo a anoneira apenas pode ser enxertada em porta enxerto da mesma espécie.

A plantação da anoneira deverá ser executada preferencialmente entre o mês de março e Maio, preferencialmente numa época de chuva. Escava-se uma cova com 60 cm de largura e outros 60 cm de profundidade. Acrescenta-se matéria orgânica ou um estrume bem curtido. Ao plantar a árvore tenha em atenção que o colo da árvore deve ficar um pouco acima do nível do solo.

A anoneira aprecia um bom aporte de matéria orgânica, além de esta melhorar a qualidade e fertilidade do solo, ela melhora a qualidade e sabor dos frutos. Em termos de nutrição, esta árvore é exigente em nutrientes como: azoto, potássio, cálcio e magnésio, porém é de ter em conta que o excesso de azoto leva ao rachamento dos frutos.

Embora a anoneira seja uma árvore rústica e resistente, ela está sujeita a doenças como antracnose (Colletotrichum gloeosporioides) e podridão radicular (Armillaria mellea). Poderá igualmente ser atacada por pragas como a mosca da fruta (Ceratitis capitata Wied), a broca e a cochonilha algodão.

Durante os primeiros 3 a 4 anos realiza-se uma poda de formação, depois dos 4 anos começa-se a poda de frutificação. A poda deve ser realizada quando as folhas começam a amarelecer e antes de se iniciar a nova rebentação. O ideal é optar por copas baixas, deste modo protege-se a planta e os frutos dos ventos fortes e facilita-se a apanha.

Desde o vingamento até à maturação completa da anona decorem 4 a 5 meses, porém este processo pode ir até aos 8 meses. A colheita das anonas deve ser efetuada quanto estas passarem do verde para um verde mais pálido, ligeiramente amarelado, os frutos demasiado verdes são ácidos e amargos.

Comportamento da anoneira em Portugal


A maior concentração de anoneiras situa-se nas ilhas dos Açores e da Madeira, onde encontram condições parecidas ao seu habitat natural. Porém já são conhecidos casos bem sucedidos em algumas localidades de Portugal continental.

Em Portugal o abrolhamento surge por volta de abril, dependendo das condições externas como a altitude e clima do local onde a árvore esteja instalada. Geralmente a floração dá-se entre Maio e Junho.

A anoneira apresenta dificuldade de polinização nas condições climáticas de Portugal. A salinidade do ar nas regiões próximas do mar ou a baixa humidade relativa podem afetar drasticamente o sucesso de uma boa polinização, contudo ela pode ser reforçada com a polinização manual.

Apesar do cultivo da anoneira não estar muito divulgado em Portugal, sabe-se que ela já é cultivada no Algarve e em vários países com clima parecido ao nosso. Ela foi introduzida em Espanha por volta de 1751 e desenvolve-se em vários outros países do mediterrâneo como Itália, Argélia, Israel e Egito.

A minha experiência com a anoneira em Portugal


As minhas anoneiras surpreenderam-me este ano, com as suas flores tão peculiares. Eu não estava à espera, para ser sincera até estavam meio abandonadas. Para ser mais precisa, tenho duas anoneiras, estão as duas em vasos relativamente pequenos. Apesar de serem da mesma idade, mostram uma grande diferença de tamanho, a que está no vaso maior têm aproximadamente 2 metros, a do vazo mais pequeno não chega a alcançar 1 metro. E por estranho que pareça a mais pequena é a que apresenta mais flores.

Não posso precisar a idade, mas creio que ultrapassam os 5 anos. Foram obtidas por via da sementeira. Retirei a semente de uma anona de mercado. A germinação decorreu normalmente, não posso precisar tempos, porém lembro-me que a nova planta cresceu normalmente sem grandes cuidados.
Nos tempos iniciais foram mantidas no abrigo de um telheiro. Nos últimos dois anos apenas receberam o abrigo das paredes da casa. Perdem a folha no inverno e no inicio da Primavera, começam a brotar normalmente.

Devo dizer que vivo numa região onde os invernos são acentuados, apesar de não nevar, as geadas noturnas são uma constante. Falo propriamente do norte de Portugal, da zona da Bairrada, onde as condições climáticas não são as melhores para as árvores tropicais. Tenho acrescentar que já vi uma anoneira na região, com um porte superior a 7 metros. A árvore cresce abrigada pelos muros de uma casa de 2 andares e apresentava frutos em crescimento. Segundo o proprietário ela frutifica todos os anos, apesar de não oferecer grande carga.

A anoneira não é a minha primeira experiencia de árvores exóticas, possuo uma pequena mangueira que me têm oferecido as melhores mangas que já provei. Sugiro que vejam o post onde relato: A minha experiencia com as árvores de manga 

Nomes populares: Fruta do conde, anona, nona, fruta pinha, cherimólia.

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