Cultura do Mirtilo

Cultura do Mirtilo
O mirtilo Vaccinium corymbosum é um fruto silvestre, que cresce num pequeno arbusto,  originário da América do Norte e que pertence à família Ericaceae, a mesma dos rododendros e das azáleas. Foi introduzido na Europa na década de 80, mais precisamente em França, em Portugal a introdução da planta  deu-se em 1990, na região do Severo do Vouga, desde então a cultura têm vindo a crescer e a ganhar cada vez mais importância.

A  planta caracteriza-se como um arbusto de folha caduca,com ramificação vertical, folhagem verde intensa e densa. Alcança em média 1,5 a 3 metros de altura e largura e é  geralmente encontrado na forma moitas densas.
A época de floração dá-se de Maio a Junho, as flores são pequenas e formam campanulas invertidas de  tonalidade branca. Os frutos nascem em aglomerados de bagas azuis negras, revestidas com uma camada cerosa e amadurem gradativamente ao longo de várias semanas. Estes preciosos frutos destacam-se pelas suas inúmeras propriedades anti oxidantes e anti inflamatórias.

Condições favoráveis ao cultivo do mirtilo


O mirtilo é uma planta rustica de climas temperados,  com boa capacidade de resistência ao frio, sendo este essencial durante a fase da dormência. Não aprecia temperaturas demasiado altas no verão. O local de plantação deve ser escolhido deve receber luz solar direta e estar protegido dos ventos fortes. As áreas baixas que sejam suscetíveis às geadas precoces devem ser evitadas.

Uma das grandes particularidades desta planta é o facto de gostar de solos ácidos, com pH entre 4,5 a 5,5. Valores superiores, podem provocar o aparecimento de carências férricas. Se o solo não apresentar o pH adequado poderá acidificá-lo com material em decomposição, turfa, casca de pinheiro e limalha de ferro.

Os mirtilos apreciam solos arenosos, leves, ricos em matéria orgânica e com boa drenagem. Os solos argilosos devem ser evitados. Um bom aporte de matéria orgânica, é uma mais valia, visto que aumenta a porosidade, o arejamento e a drenagem do solo, disponibiliza micronutrientes e ajuda a manter o pH equilibrado.

Dificilmente resistem ao excesso de água resultante da má drenagem, mas o problema poderá ser ultrapassado com a plantação em camalhão e a abertura de balas entre as linhas. Mas apesar desta condição, são muito exigentes em água e este é um fator limitante à cultura. A planta do mirtilo não têm pelos radiculares, um facto que o deixa particularmente sensível ao stress hídrico. A água deve ser distribuída uniformemente, de modo a manter o solo  permanentemente húmido à volta das raízes mas sem exageros.

É recomendada a plantação de pelo menos duas plantas de mirtilo, com a finalidade de potenciar a polinização cruzada e deste modo melhorar a produção e a qualidade dos frutos.
O espaçamento deve respeitar  0,75 a 1,00 m. entre plantas e 2,75 a 3,00 m. entre linhas, esta variação depende do vigor das variedades escolhidas.

O cultivo do mirtilo em vaso é uma prática comum, os recipientes devem ser largos e profundos, no minimo 50 cm de profundidade e o mesmo de largura. É importante colocar uma camada de material drenante no fundo, de modo a prevenir o encharcamento, o substrato pode ser uma mistura de casca de pinho com turfa. A raiz da planta de mirtilo sai pelos buracos dos vasos e tende em agarrar-se ao solo, pelo o que é necessário rodar o vaso de modo a não permitir o alargamento das raízes.

Manutenção do mirtilo


Controle de infestantes: É importante controlar a ervas daninhas, a planta de mirtilo têm as raízes pouco profundas e é facilmente afetado pela competição de nutrientes e água com outras plantas. A cobertura do solo com material vegetal como casca de pinheiro ou palha é uma das soluções, poupa mão de obra, mantém o solo limpo e reduz a evaporação de água, em áreas extensas é aplicada tela.

Colheita do mirtilo: Geralmente a maturação das bagas coincide com o Verão, em Portugal  são colhidas entre Junho e Agosto, dependendo da variedade. A apanha do mirtilo é feita de forma manual, as bagas são colhidas uma a uma de um modo gradual, porque não amadurecem de um modo uniforme.

Poda do mirtilo


A poda do mirtilo não se afasta muito da técnica aplicada a outras especies, realiza-se em função da idade da plantação e do vigor. Deve ser realizada na fase de dormência, ou seja no inverno, preferencialmente antes de as gemas incharem e antes da planta iniciar o período de floração.
 Numa fase inicial realiza-se a poda de formação, que consiste na eliminação ramos cruzados, secos, mal formados e os que  cresçam para o interior da planta, com o objetivo de abrir o interior do arbusto e permitir a entrada de luz e um bom arejamento.
 Em plantas maduras, retiram-se pela base os ramos com 4 ou mais anos. Retiram-se ramos inteiros com a finalidade de facilitar o arejamento e a iluminação no interior da planta. Cortam-se as pontas finas.

Finalizado o processo da poda, realize um tratamento de Inverno com produtos à base de cobre como calda bordalesa (Preparação da calda bordalesa), de modo a prevenir a incidência da doenças fúngicas durante o período vegetativo da planta. Este procedimento é fundamentável para para a saúde da planta e para uma boa produção.

Propagação do mirtilo


A propagação do mirtilo faz-se por meio de estaca ou de semente, sendo a multiplicação por estaca a mais indicada porque permite obter mudas idênticas à planta selecionada. A operação deve ser realizada na época de dormência, depois da planta perder as folhas. O material deve ser recolhido de plantas plantas saudáveis, em bom estado sanitário, sendo escolhidas as estacas dos ramos jovens.

Geralmente a planta de mirtilo frutifica 2 a 3 anos após o plantio, mas demora aproximadamente 6 a 7 anos até alcançar a sua produtividade máxima. Geralmente a partir do 7º ano, uma plantação de mirtilo bem gerida pode produzir na ordem das 9 toneladas por hectare.

Uma planta de mirtilo têm uma longevidade média de 15 a 20 anos, conforme  as  variedades escolhidas e os cuidados na sua manutenção.

Nomes comuns: mirtilo, arando, blueberry (inglês), myrtille (francês), arándano (espanhol)

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